quinta-feira, 7 de novembro de 2013

umas coisas que não existem.

me guarde com estilo.
me guarde com amor e tesão no espaço que sobra no meio dos seus seios.
guarde-me com prazer o choro que eu te causei.
me guarde e me aguarde até acabar.
me guarde até eu não caber mais dentro de você.
me aguarde para voltarmos.
me guarde mais um pouco.
deixa-me crescer cada vez mais naquela tua calça justa com a boca dobrada.
deixe-me te engolir.
deixo-te livre para fazer o que quiser de mim.
mas me guarde de algum jeito, aí.

moderno

ô rapaz, é que tá todo mundo com medo daquele negocio lá, o amor sabe?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Total Eclipse of the heart

Já era tarde e eu tava cansado demais, ela tava cansada demais e segurando o sono e todos os problemas que aconteciam naquele dia. Desabou num choro, não sabia direito o que falar, nem o que fazer, falei que estaria do lado dela e ela toda meio apaixonada mandou eu escutar uma música chamada "Total eclipse of the heart", e disse que se eu não lembrasse de algo ela me daria um tapa na cara e foi dormir.
Escutei, era como se ela estivesse cantando aquela música enquanto entrava no meu ouvido e a letra fazia-sem querer- uma ligação com tudo que ia ocorrendo. Disse a ela que lembrei exatamente dela, e lembrei de quando estavamos juntos e começou a tocar essa música e aquela coisa de "Ah, eu amo essa música, cara!" era assim que ela me falava, e cantava um trechinho com aquela vez rouca de menina.
Perguntei a ela o que te lembrava e ela disse bem justa e precisa: "Nós".
Bom, aí eu fechei meus olhos, dei um sorriso de lado e senti aquele ventinho no peito, naquele momento era só ela e acabou.

A ruiva

Depois que você começa a frequentar certos lugares, certas festinhas dessas de grupinhos da cidade, você vira uma espécie de senso comum. E no meio de lata de cerveja, capsulas, restos de cigarros, vidros de garrafas, cheiro se maconha na camisa, cadarço desamarrado e um arranhão no braço, você por descuido, avista cabelos vermelhos e pele branquinha, com estilinho de menina quero ser mulher, com aquelas botas que as meninas do centro de São Paulo usam, ela passa meio sem visão de quem a olha- eu olho cheio de rodeios e já imagino o ser pertinho de mim- Ela passa e não me vê, eu passo e ela não olha, eu vou buscar cerveja e ela não olha, um amigo meu me vê e me apresenta, ela me olha e a gente fica, passa a festa e a gente tá ficando, acaba a festa e depois a gente se encontra, passa semana e a gente fica, passa mais duas semanas e a gente ta ficando, passa um mês e a gente tá ficando, tá chegando no segundo mês e eu não sei o que essa garota quer, pode querer dar uma Summer e me enrolar. Esses cabelos vermelhos devem ter a mesma textura que os olhos de malandra que ela tem, sem contar seu pseudônimo de Lasciva, é encontrei uma garota na qual se encaixa com o significado dessa palavra.
E encontrei um puta perigo pra minha vida, não que ela não fosse um perigo pra humanidade mas para meu fígado, meu pulmão e a dopamina e a endorfina, ah meu caro, isso ela capricha na dose.

sábado, 17 de agosto de 2013

Tal

Quando ela vem com aquelas perninhas finas  fazendo um laço uma na outra e te olha com cara de cachorro de rua e vai chegando perto com aquele corpo minusculo mas com tanta coisa de mulher naquele jeito de andar, e dá aquele sorriso meio "olha eu to escondendo várias coisas de você só para você me descobrir por inteira" mas aí por outro lado eu penso "essa malandrinha tá querendo provocar e me fazer de tolo". É, por outro lado eu solto meu corpo e vou encontrá-la, algo meio de magnetismo ou qualquer força da natureza que queria aquele encontro alí naquela hora, e aquele momento passa tão lento que a música ecoa no meu fone e eu sinto uma possibilidade de acido lisérgico encharcando meu cérebro, mas é só fechar os olhos e assistir o futuro que vai se formando, exatamente quarenta-e-oito meses me esperando, lascando o turbilhão de fases que eu vou ter que passar, mas quando eu abro  os olhos eu não te vejo mais, tô na fase de te transfigurar em todos os lugares, todas as pessoas, qualquer clichê desses.
To me perdendo tanto.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Tudo down

acho chato essa coisa de você ir, acho acho. É tão blá. Tô tão lá. E você taí, toda feliz.

domingo, 4 de agosto de 2013

vem-to

Hoje veio um vento tão forte que eu pensei que iria me derrubar com todas aquelas coisas que eu sinto por você.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

3 linhas.

Eu não preciso mais de você.
Eu quero que você vá embora, pr'a longe sabe?
É que eu preciso muito de você.

sábado, 27 de julho de 2013

tatuagem

Não vi diferença nem tão pouca comparação, vi amor e um pouco de tristeza, naquela frase escrita no braço de uma menina "Eu faço questão de olhar pra's coisas que lembram você ou as coisas olham para mim para me fazerem lembrar de você"

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Escrevi hoje porque eu sei que voltarás um dia, e guardareis saudades e guardarei você.



"Mas agora, tantos anos
depois, aprendera a traduzir como “que saudade”, “seja bem vindo”,
“que-bom-ver-você” ou qualquer coisa assim. Mais carinhosa, embora
inábil.
Abraçou-a, desajeitado." Caio F.

Eu não aguento mais pensar que tudo que penso me lembra você, -digo, porque essa coisa de pensar assim, já me deixa meio-confuso-demais-da-conta-, e você sabe que sou louco e que antes mesmo já pensava muito em você e você só sabia rir da minha cara, eu to te escrevendo pra dizer que tá foda acordar com o sol batendo na minha cara que eu lembro de quando estávamos deitados e o sol refletia nos seus olhos, e agora o sol reflete nos meus olhos e sobra um reflexo vazio do outro lado da cama, as vezes acho que é a sua sombra mas ela não se materializa, cansei, cansei de enlouquecer e sair correndo nesses dias com sol, eu to ficando maluco, to dizendo seu nome sozinho, to quietinho debaixo da cama com medo, essa coisa de te amar me despertou sentimentos de quando eu era criança, e sabe quando você tem que dar um brinquedo embora, aquele que você mais gosta e você faz birra, chora, fica com bico porque pô é aquele brinquedo, e não importa que você esteja crescendo  ele é seu, tem um valor sentimental,  e você passa o dia inteiro com aquela cara brava e aquele bico enorme pra coitadinha da sua mãe, que explica com calma: “Filho, a gente tem que dar nossos brinquedos para ganharmos outros, a gente cresce e depois esses brinquedo não tem o mesmo valor, agora para com essa cara feia e dá o brinquedo pra mãe, não vai doer nada, depois você nem vai sentir falta..”, queria minha mãe aqui para me explicar e pegar essa dorzinha chata de te esquecer-perder-tirar você de mim, queria uma explicação ou quero mesmo um colo para encostar minha cabeça e alguém dizer “Foi só um sonho meu bem, tá tudo bem”. 


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Bilhetinho pra você

Só preciso voltar a ouvir a sua voz de gatinha doente e ver seu sorriso. Eu preciso.

Bobagens

Se você conhece uma pessoa que muda diariamente o humor com você, toma cuidado, é cilada! Ultimamente não to tendo paciência, ultimamente eu só me sinto só. Eu ultimamente trabalho com incertezas, espero meio incerto uma mulher, espero meio incerto a possibilidade do preço do ônibus abaixar-eu e mais sessenta e cinco por cento de ativistas e estudantes e trabalhadores-, tenho um futuro incerto, tenho um medo incerto de ter dó, tenho incerteza de estar incerto já que não há certezas em nada que vem comigo, nem nas pessoas, nem nos livros, nem nos cientistas, nem em Deus, nem na vida. Agora você me pergunta, pra que tanta bobagem de incertezas? É chato ser assim e eu odeio estar assim.
E como eu já dizia, tem gente que muda de  humor, de pessoa, muda que nem signo de gêmeos que têm duas personalidades, é assim, e muda sem aviso prévio, você tem que telefonar pra pessoa e perguntar: "Oi, você existe, você mudou, você sumiu?" e você ainda tem que escutar o contrário da pessoa do outro lado da linha, que você sumiu, que você mudou, e que você não liga. 
Mas  quando você sabe que é melhor ficar na sua e que não adianta procurar, você fica assim, cheio de incertezas, porque a falta de alguém deixa um bilhetinho na porta da geladeira, bem bonitinho e arrumadinho, escrito assim "É que a falta, ah a falta é reticências." mas aí  você olha pro bilhetinho e foi a falta que escreveu e cruza as sobrancelhas e olha de novo o bilhete, imaginando a falta como um espirito escrevendo pra você, apenas pra você, com letras cursivas e usa um papel azul pra expressar a falta, por quê não um papel cinza? Ou apenas branco? Talvez a falta goste de azul, mas eu não gosto da falta e não era sobre a falta que eu iria falar, mas é que quando as pessoas mudam elas fazem falta. 


segunda-feira, 10 de junho de 2013

não sei qual título por nesta postagem, mas acredito que seja:"um pianinho frágil"

 Encosto minha língua no céu da boca pra sentir o gosto do cigarro de bala forte que eu chupei para beijar uma garota que não gosta de quem fuma, e se caso ela resolvesse cheirar minha mão eu diria que segurei o cigarro de um amigo e que o próprio cigarro possui uma substancia que impregna em tudo, como um amor que eu tive e que até agora não saiu da minha mão, do meu corpo e pior do que não se pode lavar: do psicológico ou da alma, esses tecidos que despertam os sentidos de ser um ser.
 Acho que ela sequer sentiu o gosto de nicotina, não reclamou, mas reclamou de eu ser doente e de não parar de falar dessa tal garota aí e me chamou de panaca quando disse que ela poderia parecer um pouco ela, principalmente se fossemos para casa ou para um motel, disse pra ela que gostaria muito que ela gemesse como a outra garota e eu só vi a mão dela batendo na minha cara, sim um tapa, e eu sorri com satisfação alcoólica.
  Ela deve ter ido embora, eu não lembro, só lembro de lembrar da garota todo dia e ter a necessidade frágil de lhe escrever todo dia.

"Vinte e oito anos, onze meses e dois dias'' ou apenas um vinte-e-oito que me persegue

Eu to contando exatamente daqui dezoito dias, exatamente dezoito dias, contar sempre deu azar mas já não sei o que é sorte e azar eu não tenho mais, então eu contei já que não tenho ambos, e daqui dezoito dias cara, das quatro da manhã eu estarei contando esse horário: dezenove horas e vinte e cinco minutos  da noite, a hora exata que eu estaria fechando a porta do teu quarto e alguém lhe chamaria pelo lado de fora mas por algum motivo do lado de dentro eu te prenderia, segurei você no quarto, sentei na cama de frente pra você e como já tinha sentido nas semanas anteriores um prazer meio aterrorizante mas bom estaria se confirmando naquela hora, e aí eu te perguntei se queria ser minha namorada ou se queria namorar comigo, e com um medo de que os meses e anos que estivessem por vir denunciasse a merda todo que ocorre neste exato momento, sim, a merda que me refiro é a merda de continuar te amando e contando as horas, os meses e as placas de carro que por destino ou porventura , todas as vezes que tínhamos uma especie de dialogo eu via nas placas as iniciais B e G e com final 28.
Hoje é dia dez e como eu contei, daqui dezoito dias eu ficarei em casa, te mandando mensagem durante uma madrugada dizendo que sinto sua falta e quem querer escrevi a música inabalável na parede do meu quarto e por incrível que pareça a tinta não sai com álcool, ah  se souber algum produto que tire me avise, mas sei que na música é a eterna love song de nós dois.
Então eu continuarei a contar os dias, e por incrível que pareça, eu escrevi vinte e oito vezes teu nome no espelho, vi vinte e oito carros com placa final vinte e oito, vinte e oito garotas queriam ficar comigo, vinte e oito vezes eu assisti Amelie Poulain e vinte e oito milhões de vezes eu vou pedir pra voltar com você, vinte e oito infinitas vezes eu me apaixonarei por você. Mas digo, vinte e oito cara, vinte e oito!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O escritor é realista fantástico


 A menina disse que se tivesse um marido escritor em casa, deixava ele trancado no quarto porque escritor da muito trabalho, principalmente se for apaixonado e fracassado, acredita que uma vez o marido de uma amiga minha minha deu uma louca e escreveu na casa inteira? Quando ela chegou em casa o coitado tava bêbado e pelado, soltando frases do tipo “Eu escrevi nos sonhos o que o mundo queria te falar” ou então “A peste do amor vem causando um suicídio brutal nos jovens’’, minha amiga disse que não entendia, mulher de escritor nunca entende nada, só sabe amar, porque pra amar um escritor tem que ter taco, ou o cara é criança demais ou é bêbado, fumante ou louco demais, olha que existe casos que inclui tudo isso.
Eu sou normal, as vezes fico bêbado e escrevo no meu corpo o fruto do oposto, e escrevo todos os quereres da vida, já escrevi no útero da minha mulher  com caneta escura e letras bem firmes: “MINHA” , ela até que gosta de ter um marido escritor, se diverte mas tem dó de mim. Mas ser escritor não tem preço, eu gosto de ser assim. Uma vez escrevi no espelho SÓU e refletiu NÓS, talvez eu estava bêbado ou a imaginação era demais. O que eu to falando? Bem que minha mulher fala que eu falo demais ou escrevo demais, ah não sei mais.

Ela não gosta de Rilke, mas gostou de mim


Hoje eu acordei e como de costume, me troquei, esquentei o café da madrugada, abri o jornal mas não  li tudo, cocei a barba e passei a mão no cabelo, levantei da poltrona e fui ao banheiro arrumar minha cara largada, escovei os dentes, olhei no espelho e senti que algo não estava ali, talvez fosse impressão ou talvez eu esteja ficando velho, aquelas coisas dos trinta. 
Peguei a bolsa, fechei a porta, pensei em descer pela escada como sempre, mas preferi o elevador, e lá vou eu, aperto o botão e logo o elevador desce, entrei e olhei logo pra pessoa que estava nele, uma garota, que por sinal derrubou o livro quando eu entrei,  abaixei pra dar uma de bom moço e recolhi o livro do chão, era Rilke que a garota estava lendo, dei um sorriso e entreguei  o livro, e disse: “Gosto de Rilke também.” e ela me olhou e deu um riso e apenas disse: “obrigada.’’ Acho que o elevador nunca  desceu tão devagar como hoje, fiquei olhando pra garota enquanto ela não olhava pra mim, ela olhava e eu desviava. Ela ia descer e eu também, alias chegamos ao térreo,  eu pensei em tocar meu dedo nas costas dela e perguntar seu nome, mas achei meio sem graça, ou então tinha pensado em sair primeiro do elevador e parar na frente dela e dizer que me encantei rápido demais, mas achei que ela ficaria sem jeito, resolvi então apenas dizer : “Moça, gostei de você também.” aí eu dei aquele riso torto e abaixei a cabeça e ela disse: “Eu não gosto de Rilke. Mas gostei de você.”

Essa é pra você


Lembro muito bem de você, lembro da sua voz de gato que toda vez que você me chamava de amor parecia um gatinho fazendo miau. Lembro de quando íamos trabalhar de manhã e no caminho você cantava: “I want to be with you alone, and talk about the weather..” e me olhava e soltava aquele sorriso de dentes certos, você é linda e você sabe porque eu te dizia todo dia. Mas o que aconteceu com a gente? O que aconteceu meu bem? Eu errei, a gente errou mas e aí? Vai ficar tudo largado? Vamos deixar de existir? Continua a me olhar e a cantar o resto da música, aquela parte “Oh you’re waisting my time you’re  just, just, just waisting time..”  fala comigo, me responde eu preciso de você assim como uma borboleta de sua metamorfose, você virou mulher, mas você era tão linda garota, cadê o seu lado de antes? Pare de dizer coisas fúteis, você é tão grande, para, olha pra mim amor, olha, fica comigo, vamos cantar aquela música, eu com a minha voz rouca de cão e a sua de gatinha, aquela parte agora “ I’m head over heels, ah don’t take my heart, don’t break my heart, don’t, don’t, don’t throw it away..”. Vai meu amor, deixa tudo de lado, vamos viver de novo, vamos amor, vamos, eu preciso de você, tanto, mas tanto.. Por que você faz isso comigo? 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Vem buscar seus restos

Saí de mim mulher! Olha pra mim e fala: "Eu não te amo mais" fala logo, pra sumir qualquer vestígio, qualquer rastro que te trague de volta. Fala que não quer mais me ver, que não quer mais telepatia, nem a sintonia de antes, nem os  sentimentos, fala pra eu tirar esse medo que surge quando eu acordo, pra eu sentir o final de um corte profundo, pra eu sentir você indo embora de vez, pra eu não te prender dentro de mim, pra sair  de mim aquele bicho escuro e profundo que por mais estranho que seja, é lindo porque tem você. Mas, fala logo, tira logo essas borboletas.Vem buscar seu cheiro nos meu braços, nas minhas blusas. Tirar o nó na garganta pra desatar a saudade e ela ir embora com você. A mala tá cheia, mas tá cheia de você, e você tem que vir busca-la, eu já não aguento mais guardar as coisas e você prometeu que vem buscar. Quanto mais eu guardo mais te guardo.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Femme

Pensei que tinha um inseto na minha cama, um besouro, uma barata subindo na minha perna, acho que era um escorpião, você sabe do que eu estou falando, peçonha, garra, pegou e apertou.
Nem soro tem, nem vida tem mais, tem só uma dor causada por um escorpião feminino, desses malvados e que não querem perdoar se você merece ou não ser picado, se você é errado ou não. Te digo, caro amigo, escorpião é perigoso, ah se pode matar, aos  poucos, pouquinho. Coisas femininas são fatais.

Tomara

Lembro muito de você e dos  seus tomates, os fritos, os verdes, os vermelhos, dos tomates que você gostava e que ainda gosta, eu não sei, faz tempo que não te vejo ou você não quer me ver. Os tomates, ah os tomates, vermelhinhos e com sal, mas tomate é fruta ou legume? O tio Tomás perguntou de você, disse que não sabia, talvez um dia eu viveria com você de novo eu disse, mas sabia que não sabia mais de você, que você sumiu e os tomates ficaram na geladeira, frios, depois queimados de frio e pretos, podres. Tristes talvez. Tomara que um dia você volte, e traga seus tomates de volta, traga minha vida, traga só você e eu te levo o resto,

Maldita

Acordei. Tomei café, quentinho, peguei um disco e coloquei pra tocar, Marisa para essa música, eu gritei, me lembrei daquele amor antigo que qualquer coisa que faz você lembrar faz você parar o que você tá fazendo e perder todo o fio da coisa, e eu tava escrevendo, e eu não queria parar pra lembrar de um amor, Marisa me olhou com uma cara, mas logo trocou a música, estranho nem perguntou o porquê, mas deixei e voltei a escrever, mas mesmo a música sendo outra, não deu outra, eu comecei a lembrar daquele amor, acendi um cigarro pra voltar à escrever, coloquei mais café na xícara mas não adiantou, não adiantava, quando você começa a lembrar, já era, entrou na mente e invadiu a sala, comecei a escrever, a escrever sobre aquele amor, Marisa escutava da cozinha o barulho das teclas chorando as palavras, ela entendeu o que se passava, e o café descia da garrafa e vinha pra minha xícara, eu não entendia, o cigarro parecia um ectoplasma, e meus dedos não paravam, minha mente só pensava, naquele amor, naquela mulher, naquela maldita, e eu gritava: "Maldita, maldita!" me largou, me deixou, e olha como eu fiquei, só e sem dó de mim, mas eu a queria, e Marisa entendia calada que eu não a amava, porque eu só sabia gritar e bater a mão na mesa de madeira, e beber e fumar, e escreve pra ganhar dinheiro ou escrever pra'quela maldita ler, e eu não sabia mais o que fazer. Esqueci o nome dela, só lembro do sorriso. 
Mas hoje tem a Marisa, a gente tem que viver com alguém, tentar amar alguém, mas não foi o que pensei que seria, Marisa hoje é minha mulher, mãe dos meus filhos, mas eu queria aquela maldita com seu sorriso. Parece que o destino não entende, parece que a vida não quis assim. Foi uma pena esquecer seu nome e ainda lembrar tanto de ti. 

sábado, 18 de maio de 2013

O amor tropical

É inevitável provar o gosto de frutas tropicais e não sentir teu gosto dentro de mim.
Não sei se você gosta de abacaxi, apesar de doce, no seu gosto bem no fundo, fica aquele ácido chamado: "saudade de você". Já vi você provando fruta-do-conde, sei que o aroma doce e suculento enche sua boca e depois de deliciar você joga fora a semente, aquelas sementes pretas e escuras brilhantes, assim como meus olhos. Existem 500 tipos de mangas, a rosa, a espada e outras. Eu só existo pra você, elas florescem em setembro, te floresço ou me ofereço de janeiro à janeiro pra você.
Eu não sei onde esses sabores tropicais vão chegar, eu simplesmente abri um livro e tava lá, tudo escrito e eu senti na boca todo o gosto de uma dor irremediável de um amor doce e efêmero.

O oitavo andar


Lá de cima do Joelma eu te via, te via lá de cima, ou te criava, ou te imaginava. O oitavo andar começava a despedaçar e eu me despedaçava todinha no ar, queria aprender a voar, mas sabia que sem você eu nunca iria aprender, o tempo passava tão rápido e o fogo queimava tudo que tinha lá, não deu tempo de pegar aquela foto nossa, o livro com sua declaração, não deu nem tempo de fazer uma ligação e dizer: “Querido, essas coisas acontecem, a gente nunca sabe o dia de amanhã, olha quantos sonhos ficaram na estante..Mas a gente guarde na alma aquela vontade de amar pra sempre, sempre..” mas  eu não tinha tempo, eu não queria ficar ali, eu não queria me queimar, era mais fácil eu ir voando até lá embaixo e fui do oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um.
Achei mais fácil ir embora assim, talvez você me encontrasse na rua e percebesse que eu morreria feliz, mesmo sem você do meu lado nos últimos dias. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Volta e meia


Não que as coisas estejam indo de mal a pior, mas sinceramente, estão indo. Errei, já sabia que ia errar com medo de deixar, de nos deixar, de nos perder, perdi. Perdi eu acho,  e a dor faz bagunça num tecido do corpo-talvez a alma- e dói o peito, dói feito agulha espetando, fazendo samba-canção de uma dor chata que tá presa nessa solidão. Não que esperava mais de você, esperar o quê? Você sempre disse "Um dia você vai crescer", talvez eu cresça, talvez a gente volte, nem que passe sete anos, eu vou te esperar, mas que seja menos, eu quero voltar hoje, ou amanhã de manhã. Digo porque espero, digo porque tenho fé, que errar querida todo mundo erra, mas era pra nos proteger, perdão, eu tive medo, e eu não fiz direito o que você disse que eu fiz, assumi sim, pra não fazer papel de certa, querendo só você, de volta na minha mesa. Hoje as coisas vão mudar, talvez escutar Sushi, não nos leve pro Japão, a solidão de agora, querida, eu seguro na palma da minha mão, me da um espacinho  me deixa te trazer de volta, não peço agora, mas um apelo, desses bem clichês, é que a vida inteira eu espero te ter, não, não, não, a ficha não caiu, eu to sentada aqui, e o sol já vai embora, to olhando pro pôr, eu te vejo numa nova aurora, mas aí fica essa, toda vez que a gente vê um pôr, a gente pede, pra chegar mais rápido no ouvido de Deus, eu peço "Traz ela de volta, inteira...'' 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Carnavalha da paixão

Seus olhinhos tinhosos, seu cheiro de infância, pirulito colorido faz orbita no seu olhar de criança, seu vestido de florzinha que inspira a minha prosa, sua dança da Bahia  seus cabelos de ondinhas se balançam com o vento, sua voz fininha de menina arrependida, seu sorriso de uma a lua, a lua mais linda dessa noite da Bahia!
Vem, vem conhecer o sertão, vem tocar gaita comigo, ou ser Maria e Lampião, vem menina, vem fazer romance, fazer boneca ou pião, vem tocar uma poesia em forma de solidão, vem ser a Dora que eu te mostro os capitães, vem ver a minha gente, minha semente, e até meu ganha pão.
Mas vem ficar comigo, Junho e Julho traz fogueira, a gente faz pipoca, faz milho e um quentão, mas depois passa a folia e vem  a gosto  o amargo de um tempo passado que ficou sobrando. Se lembro, você fica menina, faz alegria e bagunça todo o quarto, todo o laço do nó dessa nossa vida, outro mundo a gente cria, e dez embrulhos de presentes embrulham nosso amor. Já é janeiro e tudo começa de novo, mas fevereiro, ah fevereiro meu amor, é só alegria, é carnaval é o nosso amor, desfilando pra mais um ano de vários carnavais.

passárinho que não passa

Passarinho só voa quando é colo de mãe, mas eu quero o seu colo e apesar da sua maturidade comigo eu não quero voar, eu quero ficar no seu colo pra sempre, sempre, pra quando eu crescer poder cuidar de você, eu sou um passarinho querendo te aprender, prender...

domingo, 7 de abril de 2013

te fumar, te fumar, te fumar, te fumar, te fuder, te fude, te fuder, te fuder, te esquecer, te esquecer, te esquecer, te esquecer.

sábado, 6 de abril de 2013

toda história tem que ser escrita várias vezes

Oi moça, hoje eu passei a noite toda vendo foto sua, deu vontade até de imprimir e colocar na estante da sala, na cabeceira da cama, no papel de parede do celular. Quando começou o ano, a menina da minha sala perguntou meu signo, disse: "Capricórnio...'' aí ela disse: "Hm...Capricórnio, vai aparecer um amor na sua vida viu?'' aí eu ri, porque eu tava com uma menina já e eu não gostava dela, eu gostava de outra, até então tudo bem, continuava tudo normal, a mesma coisa, eu querendo largar daquela menina chata e parar de gostar da outra. Não sei bem quando, mas sei que um dia eu sai do ônibus e encontrei a menina da minha sala, ela comentou sobre uma menina do terceiro ano, eu já tinha notado ela, mas era ''Ah, ela já tem alguma coisa com alguém, com certeza''  a gente continuou andando, cheguei na escola, com uma sensação de que as coisas por algum motivo iriam mudar, e elas mudaram, aquele dia eu não despreguei os olhos da menina do terceiro, era um close por segundo, garimpei a menina que ela até percebeu. Houve um dia, que até enfim, me apresentaram, sei que sair da sala toda hora tinha motivo, tinha nome e sorriso, e dar tchau era toda hora, só pra poder dá um beijo de canto na boca, de trave.
Aí foi né, ia ser feriado, acho que quatro dias eu ia ficar sem vê-la e alias eu já tinha começado a bater um papo com a saudade... Na tv passava o carnaval, eu resolvi procurar seu número, pra vê se te levava pelo menos na apuração, liguei, acho que levei, tive um pouco de certeza que eu te levava... Ah, quarta-feira não foi de cinzas, foi a quarta-feia que eu te dei um beijo ou você me deu, que você sentou na mesa da sala e me olhou eu te olhei, a boca encostava, perto, tão perto, mas dava vergonha, você encostou de vez e foi. 
Veio namoro, veio briga, veio os melhores dias, os melhores sentimentos que eu poderia sentir por alguém, um frescor na mente, um calor na alma e uma dorzinha no fundo do coração, veio separação, veio choro, veio dor, mas veio cartas, sonhos, planos e veio o amor, aí veio estranhamente, separou, separou que dou em todo mundo. Mas voltamos, eu não queria ser assim, ser criança, errar sempre sem perceber, queria cuidar de verdade, queria que você soubesse que apesar do meu jeito meio infantil querendo crescer, eu estou sempre tentando ser o melhor, me esforçar nas pequenas coisas e em cada ação colocar você e o nosso futuro, porque você sabe Mery Jeine, você é meu sonho. 

Primeiro ato

Mas eu te dizia assim, com cara de palhaço: "Menina, é odiável te odiar, mas se não tem jeito eu fico amando...''

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Congelando as coisas, só pra não esquecer

a-Oi
b-Fala logo
a-O quê?
b-O que você disse que iria me falar
a-Ah é, é que sabe.. Você vai embora, e..
b-E...?
a-E cara, você foi o primeiro sabe? Me entende, é como quando alguém morre e não cai a ficha sabe? Você...
b-Eu..?
a-Você é tão lindo sabia? E você vai embora, eu não vou podê te ver mais, nem que fosse aqueles vinte minutinhos corrido, com tempo para um abraço e uma foto, eu não vou te ver mais...
b-Calma, não é pra sempre.
a-Não o caralho, você vai embora, você não vai mais estar nesta cidadezinha, você vai pra longe, longe de mim.
-b Mas existe férias..
a-E saudade também.
b-Para de desespero, a gente da um jeito.. 
a-Jeito? Você tá deixando a minha vida sem jeito.
b-Para, olha aqui, perguntei de você ontem pro Raul..
a-O Raul? E o que ele disse?
b-Disse que você anda muito largada...
a-Eu ando mesmo, e quer saber, parte da culpa é sua.
b-Minha? 
a-É, você não entende, você nunca vai entender, e quer saber, não importa, passa. E você vai embora cara, acabou.
b-Não é assim...
a-É assim, e eu vou embora, já é tarde, tenho muito coisa pra fazer
b-Um dia a gente se vê novamente...
a-Eu espero, espero realmente, sabe, eu acho que a gente ainda tem muita coisa pra viver..
b-Eu também acho, a gente tem uma vida..
a-Uma vida inteira..
b-Isso, inteira! 
a-Se cuida.
b-Vou cuidar de nós. 
a-Vai nada, tchau 
b-Tchau

Eles sempre foram assim, secura de ambas as partes, as vezes é preciso que a vida de um chacoalhada pra entender certas coisas, mais pra frente talvez, eles saberão o porquê. Talvez não sabiam que era amor, ou talvez tivessem medo, ou não sabiam mesmo o que era o amor, sabiam sim, que era algo forte, profundo e que um dia eles olhariam no olho do outro de novo, não importava o tempo, não importava quando e onde, mas tinham a certeza que voltariam. E voltaram. 


ah.

Aquelas noites vazias  que você bagunça o cabelo no travesseiro molhado de tanto chorar, não se sabe se o choro foi dormindo ou acordado, talvez fosse acordado e querendo mentir pra si mesmo, que não, não chorou e não vai chorar, que é homem e homem não chora!-Mentira, ah mas que mentira!- Segundo passo é tentar levantar o corpo pesado, e dói levantar e saber que a rotina chata continua, que você vai passar pela rua e ninguém vai perceber que você mudou, ninguém vai olhar pra sua cara, mas levando em conta essas coisas, o difícil é a dúvida de saber se é segunda, ou já é quarta, mas por favor vem logo sexta-feira, vem... O gostinho do amargo é eficaz na boca, a sede insaciável por coisas que talvez nunca existiram, e claro, o gostinho da solidão, intacto, pior que o gosto de café, apesar que café é bom, solidão dói.

sábado, 30 de março de 2013

Morena (Bruna)

Chega bem perto de mim, ou chega aqui do meu lado, eu escuto o barulho que a gente faz sabia? Eu escuto nosso amor de longe, bem longe...
Essa sua ginga, esse seu corpo de morena, essa sua curva, seus olhos grandes que brilham no escuro, esse seu jeito que nunca encontrara em nenhuma, essa sua voz fina que oscila o tom quando fala comigo, mas eu digo: Você, apenas você.
E me pergunto meu pai, quantas noites acordadas eu fiquei, só Oxalá sabe o quanto eu pedi que você perdoasse meus erros e enxergasse que o amor meu é tão verdadeiro, que quando você acorda e sai de casa com os cabelos dupla cor molhados e bate aquele vento gelado no seu pescoço e faz ventinho nos seus cílios lindinhos, ou então chegar em casa e te ver de costas pra pia da cozinha preparando o jantar com o vestido cheio de florzinhas e vira o corpo e os seus brincos de argolas viram junto fazendo cento e oitenta graus, aí você passa a mão sobre meu pescoço e eu seguro suas costas e a gente se abraça, você sorri com o sorriso mais lindo e mais fascinante do mundo e diz: ''Como foi seu dia meu bem?'' a vontade de dizer é que agora o meu dia se tornou dia, ah meu paizinho, me fala o que eu fiz pra te merecer? Cê é tão cheia de belezas e eu aqui, só com essas declarações e os textinhos de sempre, tirando as rosas roubadas e todos os sonhos, olha morena, o que eu quero te dizer mesmo, é que o amor deixa a gente mais bonito, mais cheio de graça e de felicidade, eu aprendi essas coisas com você sabe, eu descobri essas coisas com você, porque você sabe né morena, que quando o amor vem, ah ele vem e fica, pra sempre, sempre e sempre, e eu não duvido, eu só digo: É você morena, é você o amor.

terça-feira, 19 de março de 2013

A gente voltou

 Mas a gente voltou e deve ser por isso que as coisas estão assim, a gente voltou meu amor? A gente voltou, que sorte, mas que sorte a minha, a gente voltou, vou avisar a minha vó, ela  vai ficar feliz, avisa sua mãe que eu já to chegando aí, minha professora me perguntou se a gente andava junto, eu disse que não sabia, mas agora eu vou dizer pra ela que a gente voltou, meu cachorro me olhava assustado-tadinho!- deixe-me falar pra ele que a gente voltou, o seu Zé do pão-de-queijo me dava até um pão-de-queijo a mais, pensava que eu tava triste e deveria comer mais, eu vou dizer pra ele que a gente voltou e poupa-lo de seu pão-de-queijo, o cara da loja de cd que me viu comprando Chico e percebeu que João e Maria já não davam mais a mão, a mulher dos óculos me disse pra trocar de óculos porque o atual tá cheio de lágrima deixa eu avisar ela que eu voltei e que não há de ter mais lágrimas, vou avisar pro meu caderno que agora as poesias retornarão a ser bonitas. A gente voltou!

Para com isso quem?

Eu queria te ligar, mas eu não tinha nada a declarar, tinha sim, a saudade, a minha falta descontrolada em você e você tão dentro de mim. Olha essa chuva, olha só essa chuva, eu sei que você não é de solidão, e por favor não deixe esse sorriso se abrir pra ela, ela é apronta. Você tem medo do tempo não tem? Eu sei, eu queria estar do seu lado pra te olha fundo e te prometer que a vida inteira será nossa, que o tempo será meu e seu, e o seu medo vai se embora pra longe... Posso te ligar? Quero por os poemas em dia, e um dedinho de prosa não mata ninguém, não, melhor, vamos nos encontrar, lá no café da esquina vinte-oito, eu preciso te chorar o amor que tá preso, quero deitar no teu colo e te dizer que a bagunça tá imensa nos meus dias, e que dias?
Puta que pariu, é amor mesmo, para, para com isso...

Fique com você a manhã inteira, por telepatia, pela alma, por mensagem, mas eu fiquei com você por inteira e só.

quinta-feira, 7 de março de 2013

sonhos?

Meu sonho é verdinho, verdinho da natureza, ele tem vários nomes, mas é a nossa defesa, meu sonho é verde, verde do povo, verde dos olhos, ele é sonho cara, o sonho das ideias, é o verde da vida. O meu sonho tá por aí, ele é verde mulher, depois de você mulher vem ele, vem ele e só. Meus outros sonhos tem várias cores, mas os outros envolve muita gente, tem o povo, tem a justiça, tem meu Brasil o meu made in Brasil, mas sempre tem você. E mesmo que a bandeira sangre, o distintivo dos guerreiros estancam os ferimentos. Mas é só sonho, sonhinho, soninho, sono, ah vou dormir, e só sonhar, Ar.

Chorão, o poeta de todos.


hoje

Mas eu caí nessa sua brincadeira, ah mas eu também já saquei a sua, mulher quando da um tempo é um jogo pra fazer o cara sofrer e se superar...e
 vai se fudê

segunda-feira, 4 de março de 2013

Pra um cara dessa cidade

Queria te salvar, te tirar desse lugar maldito que você tá, te tirar dessa porta da solidão, quero você aqui, falando das mulheres, falando que vai largar o cigarro, joga esse maço fora, agora!
Quero te mostrar que tudo tem um lado bom, você não precisa mudar pra agradar ninguém  se a falta de interpretação desses loucos te afetam, nós somos mais loucos ainda  pra deixar isso de lado, olha aqui, fala comigo, eu to falando com você, lembra quando eu estava decepcionada pra caralho e você me ligou falando que não ia soltar da minha mão? Eu não vou soltar da sua. 
Mas fala comigo, me responde, eu estou aqui você sabe, você não é o problema de ninguém, alguém aqui sente falta de você. 
Não se torne um cara calado, desses que só sabem concordar com tudo, você não é assim eu sei que não é, vamos sair, vamos tomar uma cerveja e dizer o eu te amo com ''vai tomar no cu'', vamos escrever na parede da fábrica, vamos fotografar os musgos, ta me escutando? Eu sei que sim, eu sei da sua respiração, sei que ela é profunda e cansada, sei que o cansaço te domina e que você chega joga as coisas e deita. Hein, essa coisa de beber saudade da dor de cabeça, quero dormir, hoje o dia foi ruim demais, a mulher me esquece sempre, assim, eu gosto de carinho, mas foda-se, como foi seu dia? Olhei no celular e nem o seu bom dia estava lá, você me preocupa. 
Veja só, eu continuo a te escrever, por aqui, por mensagem, pela mente, por cartas, eu continuarei aqui, até você cansar de estar cansado dessas rugas jovens, mas cuidado, você tem uma vida, você é jovem demais, olha a sua vida aí na frente, você tem uma música pra compor, e os seus poemas, ficam como?
Se cuide menino, mas se cuide bem, antes que eu vá aí e diga pra você se levantar dessa cama e abrir a janela desse quarto, não quero uma barata morta, nem um Kafka triste, quero o meu amigo, o meu amigo único e torto. 
Não sei como terminar uma carta, então, acaba aqui.

domingo, 3 de março de 2013

Um beijo, um abraço e um, dois, três! Até mais meu bem.

Fechei os olhos enquanto enquanto o sol beijava as nuvens, fui pra longe, fui pra perto de você, mesmo você me desejando longe. Mesmo você procurando a paz.
Nos meus olhos a unica imagem que vinha era você, desfilando numa chuva forte, toda molhada e linda, eram pessoas pra tudo que era lado, mas você brilhava no meio delas, e a cada passo tímido seu, o vento do meu sonho batia no meu rosto tocando a alma, espetando os sentidos lá no fundo, eu senti, eu senti você perto de mim, numa parada meio catártica, mas quanta sintonia, eu te via, e te aconchegava no meu peito e a cabeça se abria, se enchia de esperança. Eu gosto de fechar meus olhos, só pra te ver passar meu amor. O corpo fazia um vai e vem do passado, a mão se estendia além das costas arranhadas, a língua ardia gritando na sua orelha fria, eu abraçava e a gente no meio da rua, da vida, da eternidade, no seu quarto, no carro, se ouvia o Ben dizendo ''Que maravilha, que maravilha..'' mas o que era isso, era só sonho meu ou era lembrança sua? Te peguei, girei, te sentei em mim, você me olha, se perdia em mim, me prendia em você, era teimosia, era conquista, Ah mulher... Quando tudo junta vira ginga, vira dança, olha o toque. Fica. Já é noite, eu dormi e sonhei com você, não sei se dormi ou se só fechei os olhos, você deveria dar um tempo, porra! Eu que quero a paz, você que não me da a paz, se afasta um pouquinho, eu sou Euzinho, mas sozinho não dá meu bem, eu sei, eu não sei direito o que quero, sei que as roupas tão jogadas no sofá e que eu tenho que passar, mas passa um pouco aqui em casa, eu guardo tudo no armário assim como eu te guardo lá, e quando tá calor eu tiro pra lavar, estranho esse meu jeito, eu não sei o que quero, sei que quero-te, mas fica difícil essa nossa indecisão, fica difícil Deus te dizendo ''Vá com calma.'', acredita mais em mim, depois a gente fala com Deus e ele nos ajuda. To apelando por um carinho seu, to sonhando com um carinho seu, tô assim, esperando uma migalhinha do seu pudim, um sorrisinho até vai bem, um beijo, um abraço e até que seja esperado o nosso destino do além.

sábado, 2 de março de 2013

Sempre assim

Hoje eu cheguei em casa, a tv tava ligada, gritei ''Desliga logo essa TV'' lembrei que só tinha eu em casa, louco é assim  mesmo, fala só. Esse jornal chato, essa mulher da TV só fala do Papa, deixa o coitado, olha só fala de tanto problema essa TV, e eu com tantos aqui, levantei da cadeira e desliguei,  voltei e sentei na cadeira com a postura curvada fudendo toda coluna, já tá tudo fudido, resolvi ligar o som, tava tocando essas música tristes e ardentes que eu vivo escutando, eu ia escrever sobre a chatice dos dias mas não da porque eu sempre vou escrever sobre alguém, sobre o mesmo alguém, se alguém estiver lendo esse texto, me desculpe, mas sabe hoje é um dia especial pra mim, eu faria um ano com esse alguém, ou fiz? Ah eu não to só mas também não to com alguém, o alguém como eu já disse, ah não sei, hoje eu queria chegar nela e dizer ''Volta pra mim, eu te amo, eu TE AMO (gritar mesmo, meio aqueles exagerados que amam acima de tudo, e nem adianta dizer que sou novo pra saber, eu sei muito bem o que é)'' mas acho que ela iria me matar e abaixar a cabeça e sair irônica, fiquei com medo, ela tava cercada de amigos, aqueles de encontros casuais, fiquei meio sem jeito, não sei o que fazer, aí eu olho pro chão pra vê se você repara e me puxa, mas  continuei lá sem graça. Tava na hora d'ela ir embora, agora ela me puxou, a gente foi andando num passo meio rápido porque ela tava atrasada e tinha que pegar o trem, eu continuei com a cabeça abaixada porque ela me desfaz sempre. Sempre...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O ímpar-par

Hoje eu tava no banco da praça, tava tudo bonitinho, os pombos e as pipocas, os filhos e as mães, a menina e seu menino, o sorvete e o calor, a noite com a lua amarelinha, e eu continuei sentado porque eu era ímpar, assim, eu até tinha meu fone e o meu sambinha, mas essas coisas são coisas apenas. Mas aí eu comecei a lembrar, de quando eu acordava cedinho, e ficava olhando a menina que dormia comigo todo dia, ela tinha os olhinhos tão bonitos, e eu passava a mão em seus cabelos e fazia carinho, eu era par, eu me sentia gente, eu sabia sambar porque eu tinha alguém que me ensinou, eu sabia que era só aquilo que eu precisava, e eu dizia pr'aquela menina, que era só ela, que o samba era feito por mim e por ela, ela aceitava a minha teoria. Me atrevia com aquele corpo de menina quase mulher, falava baixinho no ouvido dela ''Fica comigo, me leva embora com você...'' ela encostava a orelha fria no ombro e sorria,  eu nunca fui de querer muito, então só com ela bastava. A mãe tava segurando o filhinho dela, acho que ele ta aprendendo a andar, ainda tá meio bambo o andar dele, mas ele não parava de sorrir, eu sempre tive vontade de ter um filho eu dizia pra menina que teríamos dois,  ela gosta de Olivia e eu de Raul, mas era nossos sonhos, sonhos de jovens são assim, bonitos.
 Eu ainda penso na menina, acho que a gente ainda se vê novamente, de domingo, porque a semana tira o folego da gente, e o tempo passa num estalo, acho que sou um ímpar até meio par, olha o quanto de lembrança eu tenho, cabe uma casa, uma vida, mas é uma saudade. 
Fiquei só mais uns minutos naquele banco, eu senti que o ar da cidade aquele dia, anunciava alguma coisa, eu sabia que sim, e sabia que tinha a menina no meio, e mesmo se não tivesse ela, eu iria atrás, ficar sozinho na praça é coisa de solitário, e eu não sou assim, eu sou um ímpar-par, levantei e fui por aí, o movimento das coisas sempre querem nos mostrar alguma coisa, mas tá tudo escondidinho pra ser achado e só acha quem procura. 

-Euzim e sua mania de só falar de um alguém só