sexta-feira, 14 de junho de 2013

Bilhetinho pra você

Só preciso voltar a ouvir a sua voz de gatinha doente e ver seu sorriso. Eu preciso.

Bobagens

Se você conhece uma pessoa que muda diariamente o humor com você, toma cuidado, é cilada! Ultimamente não to tendo paciência, ultimamente eu só me sinto só. Eu ultimamente trabalho com incertezas, espero meio incerto uma mulher, espero meio incerto a possibilidade do preço do ônibus abaixar-eu e mais sessenta e cinco por cento de ativistas e estudantes e trabalhadores-, tenho um futuro incerto, tenho um medo incerto de ter dó, tenho incerteza de estar incerto já que não há certezas em nada que vem comigo, nem nas pessoas, nem nos livros, nem nos cientistas, nem em Deus, nem na vida. Agora você me pergunta, pra que tanta bobagem de incertezas? É chato ser assim e eu odeio estar assim.
E como eu já dizia, tem gente que muda de  humor, de pessoa, muda que nem signo de gêmeos que têm duas personalidades, é assim, e muda sem aviso prévio, você tem que telefonar pra pessoa e perguntar: "Oi, você existe, você mudou, você sumiu?" e você ainda tem que escutar o contrário da pessoa do outro lado da linha, que você sumiu, que você mudou, e que você não liga. 
Mas  quando você sabe que é melhor ficar na sua e que não adianta procurar, você fica assim, cheio de incertezas, porque a falta de alguém deixa um bilhetinho na porta da geladeira, bem bonitinho e arrumadinho, escrito assim "É que a falta, ah a falta é reticências." mas aí  você olha pro bilhetinho e foi a falta que escreveu e cruza as sobrancelhas e olha de novo o bilhete, imaginando a falta como um espirito escrevendo pra você, apenas pra você, com letras cursivas e usa um papel azul pra expressar a falta, por quê não um papel cinza? Ou apenas branco? Talvez a falta goste de azul, mas eu não gosto da falta e não era sobre a falta que eu iria falar, mas é que quando as pessoas mudam elas fazem falta. 


segunda-feira, 10 de junho de 2013

não sei qual título por nesta postagem, mas acredito que seja:"um pianinho frágil"

 Encosto minha língua no céu da boca pra sentir o gosto do cigarro de bala forte que eu chupei para beijar uma garota que não gosta de quem fuma, e se caso ela resolvesse cheirar minha mão eu diria que segurei o cigarro de um amigo e que o próprio cigarro possui uma substancia que impregna em tudo, como um amor que eu tive e que até agora não saiu da minha mão, do meu corpo e pior do que não se pode lavar: do psicológico ou da alma, esses tecidos que despertam os sentidos de ser um ser.
 Acho que ela sequer sentiu o gosto de nicotina, não reclamou, mas reclamou de eu ser doente e de não parar de falar dessa tal garota aí e me chamou de panaca quando disse que ela poderia parecer um pouco ela, principalmente se fossemos para casa ou para um motel, disse pra ela que gostaria muito que ela gemesse como a outra garota e eu só vi a mão dela batendo na minha cara, sim um tapa, e eu sorri com satisfação alcoólica.
  Ela deve ter ido embora, eu não lembro, só lembro de lembrar da garota todo dia e ter a necessidade frágil de lhe escrever todo dia.

"Vinte e oito anos, onze meses e dois dias'' ou apenas um vinte-e-oito que me persegue

Eu to contando exatamente daqui dezoito dias, exatamente dezoito dias, contar sempre deu azar mas já não sei o que é sorte e azar eu não tenho mais, então eu contei já que não tenho ambos, e daqui dezoito dias cara, das quatro da manhã eu estarei contando esse horário: dezenove horas e vinte e cinco minutos  da noite, a hora exata que eu estaria fechando a porta do teu quarto e alguém lhe chamaria pelo lado de fora mas por algum motivo do lado de dentro eu te prenderia, segurei você no quarto, sentei na cama de frente pra você e como já tinha sentido nas semanas anteriores um prazer meio aterrorizante mas bom estaria se confirmando naquela hora, e aí eu te perguntei se queria ser minha namorada ou se queria namorar comigo, e com um medo de que os meses e anos que estivessem por vir denunciasse a merda todo que ocorre neste exato momento, sim, a merda que me refiro é a merda de continuar te amando e contando as horas, os meses e as placas de carro que por destino ou porventura , todas as vezes que tínhamos uma especie de dialogo eu via nas placas as iniciais B e G e com final 28.
Hoje é dia dez e como eu contei, daqui dezoito dias eu ficarei em casa, te mandando mensagem durante uma madrugada dizendo que sinto sua falta e quem querer escrevi a música inabalável na parede do meu quarto e por incrível que pareça a tinta não sai com álcool, ah  se souber algum produto que tire me avise, mas sei que na música é a eterna love song de nós dois.
Então eu continuarei a contar os dias, e por incrível que pareça, eu escrevi vinte e oito vezes teu nome no espelho, vi vinte e oito carros com placa final vinte e oito, vinte e oito garotas queriam ficar comigo, vinte e oito vezes eu assisti Amelie Poulain e vinte e oito milhões de vezes eu vou pedir pra voltar com você, vinte e oito infinitas vezes eu me apaixonarei por você. Mas digo, vinte e oito cara, vinte e oito!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O escritor é realista fantástico


 A menina disse que se tivesse um marido escritor em casa, deixava ele trancado no quarto porque escritor da muito trabalho, principalmente se for apaixonado e fracassado, acredita que uma vez o marido de uma amiga minha minha deu uma louca e escreveu na casa inteira? Quando ela chegou em casa o coitado tava bêbado e pelado, soltando frases do tipo “Eu escrevi nos sonhos o que o mundo queria te falar” ou então “A peste do amor vem causando um suicídio brutal nos jovens’’, minha amiga disse que não entendia, mulher de escritor nunca entende nada, só sabe amar, porque pra amar um escritor tem que ter taco, ou o cara é criança demais ou é bêbado, fumante ou louco demais, olha que existe casos que inclui tudo isso.
Eu sou normal, as vezes fico bêbado e escrevo no meu corpo o fruto do oposto, e escrevo todos os quereres da vida, já escrevi no útero da minha mulher  com caneta escura e letras bem firmes: “MINHA” , ela até que gosta de ter um marido escritor, se diverte mas tem dó de mim. Mas ser escritor não tem preço, eu gosto de ser assim. Uma vez escrevi no espelho SÓU e refletiu NÓS, talvez eu estava bêbado ou a imaginação era demais. O que eu to falando? Bem que minha mulher fala que eu falo demais ou escrevo demais, ah não sei mais.

Ela não gosta de Rilke, mas gostou de mim


Hoje eu acordei e como de costume, me troquei, esquentei o café da madrugada, abri o jornal mas não  li tudo, cocei a barba e passei a mão no cabelo, levantei da poltrona e fui ao banheiro arrumar minha cara largada, escovei os dentes, olhei no espelho e senti que algo não estava ali, talvez fosse impressão ou talvez eu esteja ficando velho, aquelas coisas dos trinta. 
Peguei a bolsa, fechei a porta, pensei em descer pela escada como sempre, mas preferi o elevador, e lá vou eu, aperto o botão e logo o elevador desce, entrei e olhei logo pra pessoa que estava nele, uma garota, que por sinal derrubou o livro quando eu entrei,  abaixei pra dar uma de bom moço e recolhi o livro do chão, era Rilke que a garota estava lendo, dei um sorriso e entreguei  o livro, e disse: “Gosto de Rilke também.” e ela me olhou e deu um riso e apenas disse: “obrigada.’’ Acho que o elevador nunca  desceu tão devagar como hoje, fiquei olhando pra garota enquanto ela não olhava pra mim, ela olhava e eu desviava. Ela ia descer e eu também, alias chegamos ao térreo,  eu pensei em tocar meu dedo nas costas dela e perguntar seu nome, mas achei meio sem graça, ou então tinha pensado em sair primeiro do elevador e parar na frente dela e dizer que me encantei rápido demais, mas achei que ela ficaria sem jeito, resolvi então apenas dizer : “Moça, gostei de você também.” aí eu dei aquele riso torto e abaixei a cabeça e ela disse: “Eu não gosto de Rilke. Mas gostei de você.”

Essa é pra você


Lembro muito bem de você, lembro da sua voz de gato que toda vez que você me chamava de amor parecia um gatinho fazendo miau. Lembro de quando íamos trabalhar de manhã e no caminho você cantava: “I want to be with you alone, and talk about the weather..” e me olhava e soltava aquele sorriso de dentes certos, você é linda e você sabe porque eu te dizia todo dia. Mas o que aconteceu com a gente? O que aconteceu meu bem? Eu errei, a gente errou mas e aí? Vai ficar tudo largado? Vamos deixar de existir? Continua a me olhar e a cantar o resto da música, aquela parte “Oh you’re waisting my time you’re  just, just, just waisting time..”  fala comigo, me responde eu preciso de você assim como uma borboleta de sua metamorfose, você virou mulher, mas você era tão linda garota, cadê o seu lado de antes? Pare de dizer coisas fúteis, você é tão grande, para, olha pra mim amor, olha, fica comigo, vamos cantar aquela música, eu com a minha voz rouca de cão e a sua de gatinha, aquela parte agora “ I’m head over heels, ah don’t take my heart, don’t break my heart, don’t, don’t, don’t throw it away..”. Vai meu amor, deixa tudo de lado, vamos viver de novo, vamos amor, vamos, eu preciso de você, tanto, mas tanto.. Por que você faz isso comigo?