Hoje eu acordei e como de costume, me troquei, esquentei o
café da madrugada, abri o jornal mas não li tudo, cocei a barba e passei a mão no
cabelo, levantei da poltrona e fui ao banheiro arrumar minha cara largada,
escovei os dentes, olhei no espelho e senti que algo não estava ali, talvez
fosse impressão ou talvez eu esteja ficando velho, aquelas coisas dos trinta.
Peguei a bolsa, fechei a porta, pensei em descer pela escada como sempre, mas
preferi o elevador, e lá vou eu, aperto o botão e logo o elevador desce, entrei
e olhei logo pra pessoa que estava nele, uma garota, que por sinal derrubou o
livro quando eu entrei, abaixei pra dar
uma de bom moço e recolhi o livro do chão, era Rilke que a garota estava lendo,
dei um sorriso e entreguei o livro, e
disse: “Gosto de Rilke também.” e ela me olhou e deu um riso e apenas disse: “obrigada.’’
Acho que o elevador nunca desceu tão
devagar como hoje, fiquei olhando pra garota enquanto ela não olhava pra mim,
ela olhava e eu desviava. Ela ia descer e eu também, alias chegamos ao térreo, eu pensei em tocar meu dedo nas costas dela e
perguntar seu nome, mas achei meio sem graça, ou então tinha pensado em sair
primeiro do elevador e parar na frente dela e dizer que me encantei rápido
demais, mas achei que ela ficaria sem jeito, resolvi então apenas dizer : “Moça,
gostei de você também.” aí eu dei aquele riso torto e abaixei a cabeça e ela
disse: “Eu não gosto de Rilke. Mas gostei de você.”
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