segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ela não gosta de Rilke, mas gostou de mim


Hoje eu acordei e como de costume, me troquei, esquentei o café da madrugada, abri o jornal mas não  li tudo, cocei a barba e passei a mão no cabelo, levantei da poltrona e fui ao banheiro arrumar minha cara largada, escovei os dentes, olhei no espelho e senti que algo não estava ali, talvez fosse impressão ou talvez eu esteja ficando velho, aquelas coisas dos trinta. 
Peguei a bolsa, fechei a porta, pensei em descer pela escada como sempre, mas preferi o elevador, e lá vou eu, aperto o botão e logo o elevador desce, entrei e olhei logo pra pessoa que estava nele, uma garota, que por sinal derrubou o livro quando eu entrei,  abaixei pra dar uma de bom moço e recolhi o livro do chão, era Rilke que a garota estava lendo, dei um sorriso e entreguei  o livro, e disse: “Gosto de Rilke também.” e ela me olhou e deu um riso e apenas disse: “obrigada.’’ Acho que o elevador nunca  desceu tão devagar como hoje, fiquei olhando pra garota enquanto ela não olhava pra mim, ela olhava e eu desviava. Ela ia descer e eu também, alias chegamos ao térreo,  eu pensei em tocar meu dedo nas costas dela e perguntar seu nome, mas achei meio sem graça, ou então tinha pensado em sair primeiro do elevador e parar na frente dela e dizer que me encantei rápido demais, mas achei que ela ficaria sem jeito, resolvi então apenas dizer : “Moça, gostei de você também.” aí eu dei aquele riso torto e abaixei a cabeça e ela disse: “Eu não gosto de Rilke. Mas gostei de você.”

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