quinta-feira, 30 de maio de 2013

Vem buscar seus restos

Saí de mim mulher! Olha pra mim e fala: "Eu não te amo mais" fala logo, pra sumir qualquer vestígio, qualquer rastro que te trague de volta. Fala que não quer mais me ver, que não quer mais telepatia, nem a sintonia de antes, nem os  sentimentos, fala pra eu tirar esse medo que surge quando eu acordo, pra eu sentir o final de um corte profundo, pra eu sentir você indo embora de vez, pra eu não te prender dentro de mim, pra sair  de mim aquele bicho escuro e profundo que por mais estranho que seja, é lindo porque tem você. Mas, fala logo, tira logo essas borboletas.Vem buscar seu cheiro nos meu braços, nas minhas blusas. Tirar o nó na garganta pra desatar a saudade e ela ir embora com você. A mala tá cheia, mas tá cheia de você, e você tem que vir busca-la, eu já não aguento mais guardar as coisas e você prometeu que vem buscar. Quanto mais eu guardo mais te guardo.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Femme

Pensei que tinha um inseto na minha cama, um besouro, uma barata subindo na minha perna, acho que era um escorpião, você sabe do que eu estou falando, peçonha, garra, pegou e apertou.
Nem soro tem, nem vida tem mais, tem só uma dor causada por um escorpião feminino, desses malvados e que não querem perdoar se você merece ou não ser picado, se você é errado ou não. Te digo, caro amigo, escorpião é perigoso, ah se pode matar, aos  poucos, pouquinho. Coisas femininas são fatais.

Tomara

Lembro muito de você e dos  seus tomates, os fritos, os verdes, os vermelhos, dos tomates que você gostava e que ainda gosta, eu não sei, faz tempo que não te vejo ou você não quer me ver. Os tomates, ah os tomates, vermelhinhos e com sal, mas tomate é fruta ou legume? O tio Tomás perguntou de você, disse que não sabia, talvez um dia eu viveria com você de novo eu disse, mas sabia que não sabia mais de você, que você sumiu e os tomates ficaram na geladeira, frios, depois queimados de frio e pretos, podres. Tristes talvez. Tomara que um dia você volte, e traga seus tomates de volta, traga minha vida, traga só você e eu te levo o resto,

Maldita

Acordei. Tomei café, quentinho, peguei um disco e coloquei pra tocar, Marisa para essa música, eu gritei, me lembrei daquele amor antigo que qualquer coisa que faz você lembrar faz você parar o que você tá fazendo e perder todo o fio da coisa, e eu tava escrevendo, e eu não queria parar pra lembrar de um amor, Marisa me olhou com uma cara, mas logo trocou a música, estranho nem perguntou o porquê, mas deixei e voltei a escrever, mas mesmo a música sendo outra, não deu outra, eu comecei a lembrar daquele amor, acendi um cigarro pra voltar à escrever, coloquei mais café na xícara mas não adiantou, não adiantava, quando você começa a lembrar, já era, entrou na mente e invadiu a sala, comecei a escrever, a escrever sobre aquele amor, Marisa escutava da cozinha o barulho das teclas chorando as palavras, ela entendeu o que se passava, e o café descia da garrafa e vinha pra minha xícara, eu não entendia, o cigarro parecia um ectoplasma, e meus dedos não paravam, minha mente só pensava, naquele amor, naquela mulher, naquela maldita, e eu gritava: "Maldita, maldita!" me largou, me deixou, e olha como eu fiquei, só e sem dó de mim, mas eu a queria, e Marisa entendia calada que eu não a amava, porque eu só sabia gritar e bater a mão na mesa de madeira, e beber e fumar, e escreve pra ganhar dinheiro ou escrever pra'quela maldita ler, e eu não sabia mais o que fazer. Esqueci o nome dela, só lembro do sorriso. 
Mas hoje tem a Marisa, a gente tem que viver com alguém, tentar amar alguém, mas não foi o que pensei que seria, Marisa hoje é minha mulher, mãe dos meus filhos, mas eu queria aquela maldita com seu sorriso. Parece que o destino não entende, parece que a vida não quis assim. Foi uma pena esquecer seu nome e ainda lembrar tanto de ti. 

sábado, 18 de maio de 2013

O amor tropical

É inevitável provar o gosto de frutas tropicais e não sentir teu gosto dentro de mim.
Não sei se você gosta de abacaxi, apesar de doce, no seu gosto bem no fundo, fica aquele ácido chamado: "saudade de você". Já vi você provando fruta-do-conde, sei que o aroma doce e suculento enche sua boca e depois de deliciar você joga fora a semente, aquelas sementes pretas e escuras brilhantes, assim como meus olhos. Existem 500 tipos de mangas, a rosa, a espada e outras. Eu só existo pra você, elas florescem em setembro, te floresço ou me ofereço de janeiro à janeiro pra você.
Eu não sei onde esses sabores tropicais vão chegar, eu simplesmente abri um livro e tava lá, tudo escrito e eu senti na boca todo o gosto de uma dor irremediável de um amor doce e efêmero.

O oitavo andar


Lá de cima do Joelma eu te via, te via lá de cima, ou te criava, ou te imaginava. O oitavo andar começava a despedaçar e eu me despedaçava todinha no ar, queria aprender a voar, mas sabia que sem você eu nunca iria aprender, o tempo passava tão rápido e o fogo queimava tudo que tinha lá, não deu tempo de pegar aquela foto nossa, o livro com sua declaração, não deu nem tempo de fazer uma ligação e dizer: “Querido, essas coisas acontecem, a gente nunca sabe o dia de amanhã, olha quantos sonhos ficaram na estante..Mas a gente guarde na alma aquela vontade de amar pra sempre, sempre..” mas  eu não tinha tempo, eu não queria ficar ali, eu não queria me queimar, era mais fácil eu ir voando até lá embaixo e fui do oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um.
Achei mais fácil ir embora assim, talvez você me encontrasse na rua e percebesse que eu morreria feliz, mesmo sem você do meu lado nos últimos dias. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Volta e meia


Não que as coisas estejam indo de mal a pior, mas sinceramente, estão indo. Errei, já sabia que ia errar com medo de deixar, de nos deixar, de nos perder, perdi. Perdi eu acho,  e a dor faz bagunça num tecido do corpo-talvez a alma- e dói o peito, dói feito agulha espetando, fazendo samba-canção de uma dor chata que tá presa nessa solidão. Não que esperava mais de você, esperar o quê? Você sempre disse "Um dia você vai crescer", talvez eu cresça, talvez a gente volte, nem que passe sete anos, eu vou te esperar, mas que seja menos, eu quero voltar hoje, ou amanhã de manhã. Digo porque espero, digo porque tenho fé, que errar querida todo mundo erra, mas era pra nos proteger, perdão, eu tive medo, e eu não fiz direito o que você disse que eu fiz, assumi sim, pra não fazer papel de certa, querendo só você, de volta na minha mesa. Hoje as coisas vão mudar, talvez escutar Sushi, não nos leve pro Japão, a solidão de agora, querida, eu seguro na palma da minha mão, me da um espacinho  me deixa te trazer de volta, não peço agora, mas um apelo, desses bem clichês, é que a vida inteira eu espero te ter, não, não, não, a ficha não caiu, eu to sentada aqui, e o sol já vai embora, to olhando pro pôr, eu te vejo numa nova aurora, mas aí fica essa, toda vez que a gente vê um pôr, a gente pede, pra chegar mais rápido no ouvido de Deus, eu peço "Traz ela de volta, inteira...''