sábado, 18 de maio de 2013

O oitavo andar


Lá de cima do Joelma eu te via, te via lá de cima, ou te criava, ou te imaginava. O oitavo andar começava a despedaçar e eu me despedaçava todinha no ar, queria aprender a voar, mas sabia que sem você eu nunca iria aprender, o tempo passava tão rápido e o fogo queimava tudo que tinha lá, não deu tempo de pegar aquela foto nossa, o livro com sua declaração, não deu nem tempo de fazer uma ligação e dizer: “Querido, essas coisas acontecem, a gente nunca sabe o dia de amanhã, olha quantos sonhos ficaram na estante..Mas a gente guarde na alma aquela vontade de amar pra sempre, sempre..” mas  eu não tinha tempo, eu não queria ficar ali, eu não queria me queimar, era mais fácil eu ir voando até lá embaixo e fui do oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um.
Achei mais fácil ir embora assim, talvez você me encontrasse na rua e percebesse que eu morreria feliz, mesmo sem você do meu lado nos últimos dias. 

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