sexta-feira, 24 de maio de 2013

Maldita

Acordei. Tomei café, quentinho, peguei um disco e coloquei pra tocar, Marisa para essa música, eu gritei, me lembrei daquele amor antigo que qualquer coisa que faz você lembrar faz você parar o que você tá fazendo e perder todo o fio da coisa, e eu tava escrevendo, e eu não queria parar pra lembrar de um amor, Marisa me olhou com uma cara, mas logo trocou a música, estranho nem perguntou o porquê, mas deixei e voltei a escrever, mas mesmo a música sendo outra, não deu outra, eu comecei a lembrar daquele amor, acendi um cigarro pra voltar à escrever, coloquei mais café na xícara mas não adiantou, não adiantava, quando você começa a lembrar, já era, entrou na mente e invadiu a sala, comecei a escrever, a escrever sobre aquele amor, Marisa escutava da cozinha o barulho das teclas chorando as palavras, ela entendeu o que se passava, e o café descia da garrafa e vinha pra minha xícara, eu não entendia, o cigarro parecia um ectoplasma, e meus dedos não paravam, minha mente só pensava, naquele amor, naquela mulher, naquela maldita, e eu gritava: "Maldita, maldita!" me largou, me deixou, e olha como eu fiquei, só e sem dó de mim, mas eu a queria, e Marisa entendia calada que eu não a amava, porque eu só sabia gritar e bater a mão na mesa de madeira, e beber e fumar, e escreve pra ganhar dinheiro ou escrever pra'quela maldita ler, e eu não sabia mais o que fazer. Esqueci o nome dela, só lembro do sorriso. 
Mas hoje tem a Marisa, a gente tem que viver com alguém, tentar amar alguém, mas não foi o que pensei que seria, Marisa hoje é minha mulher, mãe dos meus filhos, mas eu queria aquela maldita com seu sorriso. Parece que o destino não entende, parece que a vida não quis assim. Foi uma pena esquecer seu nome e ainda lembrar tanto de ti. 

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