segunda-feira, 4 de março de 2013

Pra um cara dessa cidade

Queria te salvar, te tirar desse lugar maldito que você tá, te tirar dessa porta da solidão, quero você aqui, falando das mulheres, falando que vai largar o cigarro, joga esse maço fora, agora!
Quero te mostrar que tudo tem um lado bom, você não precisa mudar pra agradar ninguém  se a falta de interpretação desses loucos te afetam, nós somos mais loucos ainda  pra deixar isso de lado, olha aqui, fala comigo, eu to falando com você, lembra quando eu estava decepcionada pra caralho e você me ligou falando que não ia soltar da minha mão? Eu não vou soltar da sua. 
Mas fala comigo, me responde, eu estou aqui você sabe, você não é o problema de ninguém, alguém aqui sente falta de você. 
Não se torne um cara calado, desses que só sabem concordar com tudo, você não é assim eu sei que não é, vamos sair, vamos tomar uma cerveja e dizer o eu te amo com ''vai tomar no cu'', vamos escrever na parede da fábrica, vamos fotografar os musgos, ta me escutando? Eu sei que sim, eu sei da sua respiração, sei que ela é profunda e cansada, sei que o cansaço te domina e que você chega joga as coisas e deita. Hein, essa coisa de beber saudade da dor de cabeça, quero dormir, hoje o dia foi ruim demais, a mulher me esquece sempre, assim, eu gosto de carinho, mas foda-se, como foi seu dia? Olhei no celular e nem o seu bom dia estava lá, você me preocupa. 
Veja só, eu continuo a te escrever, por aqui, por mensagem, pela mente, por cartas, eu continuarei aqui, até você cansar de estar cansado dessas rugas jovens, mas cuidado, você tem uma vida, você é jovem demais, olha a sua vida aí na frente, você tem uma música pra compor, e os seus poemas, ficam como?
Se cuide menino, mas se cuide bem, antes que eu vá aí e diga pra você se levantar dessa cama e abrir a janela desse quarto, não quero uma barata morta, nem um Kafka triste, quero o meu amigo, o meu amigo único e torto. 
Não sei como terminar uma carta, então, acaba aqui.

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